“ÁFRICA FANTASMA”

João Samões

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A dramaturgia desta nova criação foi guiada e assombrada pela África Fantasma de Michel Leiris, um texto etnográfico saturado de sombras de um passado colonial familiar à nossa história coletiva.


O texto foi utilizado e manipulado como um mapa a percorrer (trilhar e triturar) e uma superfície de projeção (tela e ecrã) para os meus próprios fantasmas.

Leiris parte na primeira expedição etnográfica francesa a África, como um homem que perdeu a sua sombra, já não oficialmente um membro do grupo surrealista de Paris, mas ainda imbuído dessa histórica experiência revolucionária e libertária. Os sonhos, o acaso, a arte primitiva, o sexo e aventura, a loucura e a morte – contrapontos a um cada vez mais vincado e feroz racionalismo científico e capitalista – abrindo as possibilidades da experiência humana. África torna-se um imenso território onde ele projeta as suas fantasias e fantasmas.

 

João Samões nasceu em Lisboa, em 1970. Estudou Antropologia, técnicas de improvisação e composição coreográfica em Lisboa e Nova Iorque. Entre 1991 e 1996 colaborou como ator, performer e dramaturgo com a companhia de teatro Olho. Intérprete de dança contemporânea em criações de Francisco Camacho (1997 e 1998) e Vera Mantero (2001 e 2002). Em 1998 foi convidado para o Crashlanding@Lisboa, um projeto internacional de improvisação concebido por Meg Stuart. Criou as peças: 18 Minutos (2000), Zonas de Ruidosa Influência (2004), O Labirinto a Morte e o Público (2007), Blackout (2008), África Fantasma (2010). O seu trabalho como criador e intérprete tem sido apresentado em Portugal, Espanha, França, Itália, Bélgica, Áustria e México.

 

 

Ficha técnica

 

Criação, Dramaturgia, Espaço cénico e Sonoro João Samões

Textos a partir de Michel Leiris e Frantz Fanon

Interpretação Laurinda Chiungue

Interpretação musical Jan Wierzba

Figurantes Tiago Gandra, Cátia Leitão

Colaboração artística Cláudia Dias e Mónia Mota

Direção técnica Carlos Gonçalves

Técnico de cena José Pedro Sousa

Registo e Edição de vídeo João Dias e João Samões

Registo fotográfico Ricardo Mendes

Produção Os Três Caracóis – Associação Cultural

Coprodução DuplaCena/Festival Temps d’Images

Apoios e Residências Fundação Calouste Gulbenkian, Instituto Franco-Português, Transforma, Tanzfabrik, Culturgest, Jardim Zoológico de Lisboa, Bazar do Vídeo

Agradecimentos Arminda Samões, António Carlos Samões, Ana Gouveia, David Palma, Eric Costa.

“ÁFRICA FANTASMA”

João Samões

 

 

The dramaturgy of this new creation was guided and haunted by Michel Leiris’ L’Afrique Fantôme, an ethnographic text saturated with shadows from a colonial past familiar to our collective history. 


The text (
Phantom Africa) was used and manipulated like a map to journey across and as a surface of projection (canvas and screen) for my own ghosts. 

Leiris participated in the first French ethnographic expedition to Africa, as a man who lost his shadow, no longer as an official member of the French surrealist group, yet still imbued with that historical experience, both revolutionary and libertarian. Dreams, pure chance, primitive art, sex and adventure, madness and death – opposites to an increasingly marked and ferocious capitalist and scientific rationalism – expanding the possibilities of human experience and questioning the boundaries between art and life. Africa becomes an immense territory where he projects his fantasies and ghosts.

 

João Samões was born in Lisbon, in 1970. He studied Anthropology, improvisation techniques and choreographic composition in Lisbon and New York. As an actor, performer and dramatist he collaborated with the theatre company Olho (1991-1996) and as a contemporary dance performer he worked with the Portuguese choreographers Francisco Camacho (in 1997 and 1998) and Vera Mantero (in 2001 and 2002). In 1998 he was invited to participate in Crashlanding@Lisbon, an international improvisation project by Meg Stuart. He has created the plays: 18 Minutos (2000), Zonas de Ruidosa Influência (2004), O Labirinto, a Morte e o Público (2007), Blackout (2008), África Fantasma (2010). His work as a creator and performer has been presented in Portugal, Spain, France, Italy, Belgium, Austria and Mexico.

 

 

Credits

 

Conception, Dramaturgy, Set and Sound design João Samões

Texts based on Michel Leiris and Frantz Fanon

Performance Laurinda Chiungue

Musical interpretation Jan Wierzba

Extras Tiago Gandra, Cátia Leitão

Artistic collaboration Cláudia Dias and Mónia Mota

Technical direction Carlos Gonçalves

Video recording and Editing João Dias and João Samões

Photography Ricardo Mendes

Production Os Três Caracóis – Associação Cultural

Coproduction DuplaCena/Festival Temps d’Images

Support and Artistic residences Fundação Calouste Gulbenkian, Instituto Franco-Português, Culturgest, Transforma, Tanzfabrik, Jardim Zoológico de Lisboa, Bazar do vídeo

Acknowledgements Arminda Samões, António Carlos Samões, Ana Gouveia, David Palma, Eric Costa.