FUSO INSULAR 2025 – 30 e 31 de Outubro
31 Outubro, 18h30
Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, Ribeira Grande
NOVAS VOZES DA VIDEOARTE AÇORIANA
Curadoria: André Laranjinha e Rachel Korman
A videoarte é um espaço de experimentação onde diferentes linguagens se encontram, se contaminam e se transformam. Entre as artes visuais, a performance, o cinema experimental, a fotografia, a literatura, a dança, a música e as novas tecnologias, a imagem em movimento abre possibilidades para criar, questionar e descobrir outras formas de olhar.
É neste território de cruzamentos e experimentação que surgem as obras desenvolvidas ao longo do Laboratório Imagem em Movimento. Durante três meses, em pleno verão açoriano, num processo de partilha e troca de experiências, Bianca Silveira, Cecília Cana, Lourenço Maçarico, Margarida Tomé Ribeiro, Paula Mota e Tomás Sampaio aprofundaram os seus conhecimentos sobre a imagem em movimento e criaram os seus próprios vídeos, sob a orientação de João Onofre, na componente teórica, e de André Laranjinha, no acompanhamento prático. Desafiados a pensar a imagem e o som como um objeto artístico único, cada participante partiu dos seus interesses e da sua prática para encontrar uma linguagem própria e dar forma a uma obra.
Bianca Silveira imagina uma ilha que permanece para lá do horizonte, entre aquilo que podemos ver e aquilo que apenas podemos imaginar.
Cecília Canas observa fragmentos de vidas que acontecem em paralelo, explorando a forma como o olhar estabelece relações e constrói sentidos a partir de instantes que nunca revelam a totalidade das histórias.
Margarida Tomé Ribeiro explora a expectativa perante aquilo que ainda não aconteceu, num jogo entre a imagem que vemos e a imagem que a nossa imaginação antecipa.
Lourenço Maçarico acompanha, de forma espontânea, o seu grupo de amigos — todos em transição para a vida adulta — entre momentos de cumplicidade e a consciência de uma separação iminente.
Paula Mota cria uma sequência visual instável e onírica, onde duas figuras emergem e se dissolvem, evocando a memória, o sonho e a transformação constante das imagens.
Tomás Sampaio cruza natureza e catolicismo insular através de colagens de imagens e som, criando uma paisagem onde se encontram fé, vigilância e transcendência.
Seis trabalhos, seis formas de olhar e de experimentar a imagem em movimento, que revelam diferentes possibilidades de criação a partir de um território comum: os Açores.
Ao Largo – Bianca Silveira
Algures para lá do horizonte, uma ilha espera para ser vista.Há dias em que aparece. Há dias em que só podemos imaginá-la.
Dão os campos, comem os santos – Tomás Sampaio
Através de colagens de imagens e som, o vídeo cria uma paisagem onde o cristianismo católico insular se cruza com a natureza em constante movimento. Entre imagens sobrepostas e uma atmosfera sonora hipnótica, a paisagem transforma-se num espaço de contemplação e espiritualidade.
O Salto – Margarida Tomé Ribeiro
Um corpo aproxima-se da água.Prepara-se. Salta.Antes de tocar na superfície, já imaginamos o que vem a seguir.Em O Salto, habitamos a expectativa. Permanecemos nesse intervalo entre o que acontece e o que esperamos que aconteça.
O sonho é uma miragem – Paula Mota
O sonho é uma miragem é um vídeo experimental, uma sequência visual instável e onírica.Duas figuras emergem e dissolvem-se sucessivamente no campo da imagem, evocando a lógica fragmentada e não-linear do sonho. A memória em construção, imagens que nunca se fixam por completo, sempre à beira de se apagar ou de se reconfigurar noutra forma.
Passagem – Cecilia Canas
Ao percorrer o espaço, o olhar acompanha a passagem do tempo e as diferentes formas de o ocupar.
No percurso, surgem fragmentos de vidas que acontecem em paralelo, momentos breves que continuam para além da imagem e de tudo aquilo que dela podemos apreender. Entre a ordem e o acaso, o olhar estabelece relações, procura continuidades e constrói sentidos a partir do que observa. Mas o que vemos é apenas um instante de histórias que desconhecemos. Um imprevisto interrompe a observação, revelando a fragilidade de qualquer tentativa de apreender uma realidade a partir de um único ponto de vista.
Só mais 10 minutos – Lourenço Maçarico
Em Só mais 10 minutos, acompanhamos as vivências caricatas da transição de um grupo de jovens para a vida adulta. Confrontam-se, ainda que de forma implícita, com a consciência de que os percursos de cada um serão inevitavelmente interrompidos pela separação iminente.
FUSO INSULAR 2026 – October 30th and 31st
October 31st, 6.30pm
Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, Ribeira Grande
NEW VOICES OF AZOREAN VIDEO ART
Curators: André Laranjinha and Rachel Korman
Video art is a space for experimentation where different artistic languages meet, intersect, and transform one another. Situated between the visual arts, performance, experimental cinema, photography, literature, dance, music, and new technologies, the moving image opens up possibilities to create, question, and discover new ways of seeing.
It is within this territory of exchange and experimentation that the works developed during the Moving Image Laboratory emerge. Over the course of three months, during the Azorean summer, and through a process of sharing and exchanging experiences, Bianca Silveira, Cecília Cana, Lourenço Maçarico, Margarida Tomé Ribeiro, Paula Mota, and Tomás Sampaio deepened their engagement with the moving image and created their own video works. The programme combined theoretical guidance from João Onofre with practical mentorship from André Laranjinha. Invited to think of image and sound as a single artistic object, each participant drew from their own interests and creative practice to develop a personal visual language and shape an original work.
Bianca Silveira imagines an island that exists beyond the horizon, suspended between what can be seen and what can only be imagined.
Cecília Cana observes fragments of lives unfolding in parallel, exploring how the gaze establishes connections and constructs meaning from moments that never fully reveal the stories they contain.
Margarida Tomé Ribeiro explores anticipation in the face of what has not yet happened, creating a dialogue between the image we see and the image our imagination projects ahead.
Lourenço Maçarico follows, with spontaneity and intimacy, his group of friends—all on the threshold of adulthood—capturing moments of companionship alongside the awareness of an imminent separation.
Paula Mota creates an unstable and dreamlike visual sequence in which two figures emerge and dissolve, evoking memory, dreams, and the constant transformation of images.
Tomás Sampaio brings together nature and island Catholicism through image and sound collage, creating a landscape where faith, surveillance, and transcendence converge.
Six works, six distinct ways of seeing and experimenting with the moving image, revealing different creative possibilities rooted in a shared territory: the Azores.
Offshore – Bianca Silveira
Somewhere beyond the horizon, an island waits to be seen.There are days when it appears. There are days when we can only imagine it.
Dão os campos, comem os santos – Tomás Sampaio
Through collages of image and sound, the video creates a landscape where island Catholicism intersects with nature in constant motion. Through layered images and a hypnotic soundscape, the landscape becomes a space for contemplation and spirituality.
The Jump – Margarida Tomé Ribeiro
A body approaches the water.It prepares itself. It jumps.Before it touches the surface, we already imagine what comes next.In The Jump, we inhabit that expectation. We remain in the interval between what happens and what we expect to happen.
The Dream Is a Mirage – Paula Mota
The Dream Is a Mirage is an experimental video, an unstable and dreamlike visual sequence.
Two figures emerge and dissolve in succession within the image, evoking the fragmented and non-linear logic of dreams. It is a memory in the process of being formed—images that never fully settle, always on the verge of fading away or reconfiguring themselves into another form.
Passage – Cecilia Canas
As it moves through space, the gaze follows the passage of time and the different ways of inhabiting it.
Along the way, fragments of lives unfolding in parallel emerge—brief moments that continue beyond the image and beyond everything we can grasp from it. Between order and chance, the gaze establishes connections, seeks continuities, and constructs meaning from what it observes. Yet what we see is only an instant of stories we do not know. An unexpected event interrupts the act of observation, revealing the fragility of any attempt to understand reality from a single point of view.
Just Ten More Minutes – Lourenço Maçarico
In Just Ten More Minutes, we follow the humorous experiences of a group of young people as they navigate the transition into adulthood. They are confronted, albeit implicitly, with the awareness that each of their paths will inevitably be interrupted by the impending separation.
Last Updated on Outubro 23, 2026 by duplacena






