FUSO 2026 – 25 a 29 de Agosto
25 Agosto, 18h30
Duplacena 77
GEOGRAFIAS DA PERTENÇA
Lori Zippay
A partir de geografias e experiências distintas, Antoni Muntadas e Tony Labat refletem sobre os dispositivos que produzem relações de pertença e exclusão. Entre arquiteturas de segregação e processos de apagamento cultural, as duas obras revelam como o medo, o poder e a construção de narrativas configuram territórios, identidades e formas de convivência. Ao interrogar aquilo que permanece fora de campo, quem é incluído ou excluído, e o que se perde ou é silenciado, o programa convoca uma reflexão sobre os mecanismos que definem comunidades, fronteiras e formas de pertença.
Vídeos em exibição de 26 a 29 agosto das 15h às 18h.
Antoni Muntadas – ALPHAVILLE E OUTROS
Alphaville, um condomínio residencial fechado em São Paulo, é o principal cenário de Alphaville e outros, obra de Muntadas que analisa o fenómeno das gated communities (comunidades fechadas) e a forma como o medo e a procura de exclusividade conduzem ao isolamento e à exclusão urbanos.
A obra toma como referência o filme Alphaville (1965), de Jean-Luc Godard — que inspirou o nome do bairro paulistano —, uma visão distópica de ficção científica sobre um futuro urbano totalitário. Sequências do filme a preto e branco de Godard são justapostas a materiais promocionais quase utópicos do Alphaville brasileiro, animações digitais, imagens captadas por câmaras de vigilância e vistas das piscinas, campos de ténis e jardins do condomínio.
Muntadas apresenta uma arquitetura do espaço assente na retórica e nos mecanismos do medo e do controlo; as imagens recorrentes de extensas vedações em movimento evocam as muralhas defensivas medievais que outrora circundavam as cidades.
Tony Labat – Ñ (ENN-YAY)
Explorando a perda cultural e os modos através dos quais uma cultura dominante reformula a história à sua própria imagem, este pastiche narrativo é uma desconstrução sofisticada do mito da América enquanto terra prometida, e o papel desempenhado pela comunicação social reforçando essa ilusão.
Para Labat, o desaparecimento do til na pronúncia anglicizada das palavras espanholas é uma metáfora para aquilo que fica “perdido ou é deixado para trás” no processo de aculturação. Esta colagem fragmentada de mito cultural e realidade inclui um jovem a recitar a sua versão da descoberta do “Novo Mundo” por Colombo, e um Marielito (o nome dado aos refugiados cubanos exilados por Fidel de Castro para os Estados Unidos no início da década de 1980), relembrando a sua viagem desorientada de incerteza e otimismo.
Som: Marta Hoskins, Tony Labat. Com: David Birkit, Jose Luis, Joel Glassman, April Sheldon, Tony Labat.
FUSO 2026 – August 25th to 28th
August 25th, 6.30pm
Duplacena 77
GEOGRAPHIES OF BELONGING
Lori Zippay
Drawing on distinct geographies and experiences, Antoni Muntadas and Tony Labat reflect on the mechanisms that produce relationships of belonging and exclusion. Through architectures of segregation and processes of cultural erasure, the two works reveal how fear, power, and the construction of narratives shape territories, identities, and forms of coexistence. By questioning what remains outside the frame, who is included or excluded, and what is lost or silenced, the programme invites reflection on the mechanisms that define communities, borders, and forms of belonging.
Videos can be seen from 26 to 29 August from 3pm to 6pm at Duplacena 77 (Regueirão dos Anjos, 77A Lisboa).
Antoni Muntadas – ALPHAVILLE E OUTROS
“Alphaville,” a gated residential neighborhood in Sao Paolo, is the primary site of Muntadas’ Alphaville e outros, which examines the phenomenon of “gated communities,” and how fear and a search for exclusivity lead to urban isolation and exclusion.
The work takes as its reference the 1965 film Alphaville by Jean-Luc Godard (from which the name of the Sao Paulo neighborhood was derived), a dystopian sci-fi vision of a totalitarian, urban future. Scenes from Godard’s black-and-white film are juxtaposed with near-utopian promotions for the Brazilian “Alphaville,” digital animations, footage from security cameras, and images of the Sao Paolo neighborhood’s pools, tennis courts and gardens.
Muntadas presents an architecture of space based on the rhetoric and mechanisms of fear and control; the recurring images of massive, running fences suggest the medieval defensive walls that once ringed cities.
Tony Labat – Ñ (ENN-YAY)
Exploring cultural loss and the modes by which a dominant culture reworks history in its own image, this narrative pastiche is a sophisticated deconstruction of the myth of America as the promised land, and the role of the media in reinforcing that illusion.
For Labat, the disappearance of the tilde sign (ñ) in the Anglicized pronunciation of Spanish words is a metaphor for what is “lost or left behind” by acculturation. This fragmented collage of cultural myth and reality includes a young man reciting his version of Columbus’ discovery of the “New World,” and a Marielito (the term for the Cuban boat people exiled by Fidel Castro to the United States in the early 1980s) recalling his disorienting journey of uncertainty and optimism.
Sound: Marta Hoskins, Tony Labat. With: David Birkit, Jose Luis, Joel Glassman, April Sheldon, Tony Labat.
Last Updated on Julho 18, 2026 by duplacena









